Arquivo para Fevereiro, 2008

02
Fev

Jogar faz bem

Há sempre um debate sobre se os games são benéficos ou prejudiciais para a saúde de quem joga. A maioria dos pais acha que jogar videogames faz mal. Mas nossos pais felizmente nem sempre estão certos, e pouco a pouco nós estamos ganhando aliados que tornam esse debate mais favorável aos gamers.
Recentemente foi noticiado que cientistas desocupados americanos descobriram que jogadores de Games do gênero FPS tais como Half-Life e Medal of Honor possuem habilidades visuais acima da média.
Os pesquisadores demonstraram que as pessoas que jogam esses jogos foram particularmente bem em descobrir detalhes em cenas confusas e movimentadas, além de lidarem melhor com distrações visuais do à média.

A pesquisa também revela que, com um pouco de jogo, as habilidades visuais de qualquer pessoa e de qualquer idade são melhoradas. Por exemplo, num estudo os pesquisadores pediram gamers habituais e não-gamers combinassem formas que apareciam em série em uma tela. Os gamers habituais foram muito melhores na tarefa, e a completaram muito mais rápido, especialmente quando o teste foi feito com formas mais difíceis.

Os jogadores habituais também mostraram suas habilidades superiores na outra experiência que mediu o “olhar atento”. O teste pedia ao participante que identificasse qual era o símbolo que aparecia logo após um primeiro símbolo aparecer e sumir. O segundo símbolo aparecia somente por dois décimos e meio de segundos. Os jogadores conseguiram identificar corretamente o segundo símbolo muito mais rápido do que não-gamers. Para garantir que era a experiência com os games que causava ampliação das capacidades visuais, os pesquisadores usaram games com diferentes temáticas e fizeram novos testes.

Os pesquisadores submeteram a um treinamento dois grupos de gamers, cada um jogando um destes jogos: Medal of Honor (cujo ambiente de jogo é a Segunda Guerra Mundial) que é um complexo jogo no qual os gamers devem concentrar-se em mais do que uma coisa ao mesmo tempo, e Tetris o clássico jogo que exige que os gamers observem e façam uma ação por vez.

Após treinarem uma hora por dia, durante 10 dias, os gamers foram testados novamente. Os gamers que tinham jogado Medal of Honor mostraram uma melhoria significativa na sua percepção visual. Em contrapartida, quem treinou no Tetris não obteve seu desempenho muito melhorado.

Videogames então ampliam a coordenação visual na vida real. Há relatos de cirurgiões que jogam videogames para ajudá-los a melhorar suas habilidades cirúrgicas. Os seus instrumentos de trabalho inclusive são “recriados” em jogos como Trauma Center.
Por último, games que exigem atividade física estão crescendo em popularidade. Uma grande preocupação dos pais e que sempre rodeou os videogames no passado foi o sedentarismo que ele causava, principalmente em relação às crianças. Saber que existem games que requerem um maior esforço físico do usuário deixam os pais mais tranquilos, e sem dúvida isso reflete em uma maior qualidade de vida seja brandindo o controle como se fosse uma espada ou rebatendo bolas de tênis virtuais. Portanto, jogar alguns destes jogos pode ser benéfico para gamers. Entretanto, de nada adianta você passar horas e horas com seu controle na mão e olhos grudados na tela, pois os estudos também mostram que não há aumento nas habilidades se você jogar mais de duas horas por dia.

Agora, que tal parar de ler isso e jogar um pouco – vai ser bom para você..

02
Fev

O Japão, o Wii, No More Heroes & Super Smash Bros

“Eu não esperava que o Wii se tornasse um console que se focasse somente nos não-gamers”, disse Goichi “Suda 51″ Suda ao comentar sobre as decepcionantes vendas no mercado japonês do seu novo jogo, No More Heroes. Sua frase foi tomada como um apoio a outros figurões da indústria de games, que estão dizendo que só a Nintendo está obtendo boas vendas em software no Wii porque ela é a única que sabe atingir o público não-gamer de maneira apropriada. Depois, Suda 51 tentou explicar-se melhor no site da Grasshopper: “Estou preocupado ao saber que meus comentários em uma entrevista sobre o sucesso dos jogos third-party para Nintendo foram mal interpretados. Meu argumento é que No More Heroes, diferente de vários outros jogos atualmente disponíveis para o Wii, atrairá um tipo de consumidor diferente, isto é, jogadores à procura de um game de gênero diferente dos que têm feito sucesso na plataforma até o momento”, explicou. para tentar minimizar o efeito de sua declaração, o que fez com que caísse em contradição e só piorou a situação.

O público do Wii é diferente do público dos outros consoles atuais e da geração passada. Não é a toa que Wii Sports e Wii Fit são os games mais procurados do console e são considerados pela própria Nintendo como games especialmente desenvolvidos para o público “não-gamer”.
Aliás, não concordo com o termo “não-gamer”. É bizarro! O termo correto deve ser “gamers”, e devemos usar esse termo para designar as pessoas que se interessam por qualquer tipo ou gênero de games, e usar o termo “harcore gamers” para aqueles que têm vários consoles, gastam uma boa parcela do seu orçamento comprando os lançamentos, e adoram discussões acaloradas sobre seu console ou game preferido.
Só porque esse novo nicho do mercado está menos interessado em matar invasores alienígenas genéricos ou elevar o level de seu personagem até o último nível, não significa que eles não são gamers. Um jogador de futebol profissional e um amador são considerados igualmente como jogadores. E um jogador amador que não dedica tanto tempo e esforço em jogar futebol comparado ao profissional não pode ser chamado de “não-jogador”, certo?
A realidade é que o número de jogadores casuais apresenta um crescimento acelerado e se esse ritmo continuar assim os harcores gamers é que formarão um nicho do mercado de videogames. No More Heroes, muito embora se trate de um jogo divertido e que eu recomendaria a qualquer fã de Killer 7, é mesmo um jogo desse nicho hardcore e suas vendas, pelo menos no Japão, provou isso, assim como outros títulos harcores para o Wii também não obtiveram o sucesso planejado. Mas para o futuro próximo quem sabe poderemos abordar melhor essa curiosa situação do mercado japonês. Quem quiser saber mais pode levantar o braço, mas se ele estiver doendo de tanto jogar Wii Sports pode levantar só o polegar, ok?

Nos próximos dias teremos o lançamento japonês de Super Smash Bros Brawl para o Wii, ou “Sumabura”, como os japoneses carinhosamente o chamam. Este jogo é o melhor em se tratando de fan service, um sonho molhado para todos os que curtem crossover entre personagens e ainda por cima resgata com propriedade a boa e velha sessão de porradas em 2D. É um game hardcore? Posso dizer que sim, mas acredito que ele possui o potencial para ser um game harcore popular. Mas vai se encaixar com toda a audiência do Wii? Acho que não muito bem. Tenho um amigo que adora jogar Wii Sports e Wario Ware, e mostrei alguns vídeos do Smash Bros e ele não cutiu muito. Achou legais os personagens e cenários, mas achou demais toda aquela confusão na tela e não entendeu nada. Perguntou “por que o Mario não pula logo na cabeça do Pikachu e mata ele de uma vez”, seus olhos tentando acompanhar a ação na tela. “Como no Mario 1”, ele emendou.
A máquina de hype da mídia está sobrecarregada. A mais respeitada e popular publicação japonesa sobre games, a Famitsu, deu-lhe um placar perfeito (40/40) e encartou na revista um livreto com informações sobre os personagens do game. E afirmou que para ter uma melhor experiência de jogo você precisa usar o Classic Controller ou tirar a poeira do seu velho controle do Gamecube, e, além disso, como seu predecessor, vai tirar tomar um bom tempo da sua vida se você quiser destravar todos os segredos. Talvez Smash Bros Brawl tenha um bom início de vendas, mas será que continuará vendendo bem por semanas a fio, como aconteceu com New Super Mario Bros para Nintendo DS, ou seguirá o mesmo caminho de Super Mario Galaxy ou The Legend of Zelda: Twilight Princess, que não atingiram a meta de vendas esperada?

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