02
Fev
08

O Japão, o Wii, No More Heroes & Super Smash Bros

“Eu não esperava que o Wii se tornasse um console que se focasse somente nos não-gamers”, disse Goichi “Suda 51″ Suda ao comentar sobre as decepcionantes vendas no mercado japonês do seu novo jogo, No More Heroes. Sua frase foi tomada como um apoio a outros figurões da indústria de games, que estão dizendo que só a Nintendo está obtendo boas vendas em software no Wii porque ela é a única que sabe atingir o público não-gamer de maneira apropriada. Depois, Suda 51 tentou explicar-se melhor no site da Grasshopper: “Estou preocupado ao saber que meus comentários em uma entrevista sobre o sucesso dos jogos third-party para Nintendo foram mal interpretados. Meu argumento é que No More Heroes, diferente de vários outros jogos atualmente disponíveis para o Wii, atrairá um tipo de consumidor diferente, isto é, jogadores à procura de um game de gênero diferente dos que têm feito sucesso na plataforma até o momento”, explicou. para tentar minimizar o efeito de sua declaração, o que fez com que caísse em contradição e só piorou a situação.

O público do Wii é diferente do público dos outros consoles atuais e da geração passada. Não é a toa que Wii Sports e Wii Fit são os games mais procurados do console e são considerados pela própria Nintendo como games especialmente desenvolvidos para o público “não-gamer”.
Aliás, não concordo com o termo “não-gamer”. É bizarro! O termo correto deve ser “gamers”, e devemos usar esse termo para designar as pessoas que se interessam por qualquer tipo ou gênero de games, e usar o termo “harcore gamers” para aqueles que têm vários consoles, gastam uma boa parcela do seu orçamento comprando os lançamentos, e adoram discussões acaloradas sobre seu console ou game preferido.
Só porque esse novo nicho do mercado está menos interessado em matar invasores alienígenas genéricos ou elevar o level de seu personagem até o último nível, não significa que eles não são gamers. Um jogador de futebol profissional e um amador são considerados igualmente como jogadores. E um jogador amador que não dedica tanto tempo e esforço em jogar futebol comparado ao profissional não pode ser chamado de “não-jogador”, certo?
A realidade é que o número de jogadores casuais apresenta um crescimento acelerado e se esse ritmo continuar assim os harcores gamers é que formarão um nicho do mercado de videogames. No More Heroes, muito embora se trate de um jogo divertido e que eu recomendaria a qualquer fã de Killer 7, é mesmo um jogo desse nicho hardcore e suas vendas, pelo menos no Japão, provou isso, assim como outros títulos harcores para o Wii também não obtiveram o sucesso planejado. Mas para o futuro próximo quem sabe poderemos abordar melhor essa curiosa situação do mercado japonês. Quem quiser saber mais pode levantar o braço, mas se ele estiver doendo de tanto jogar Wii Sports pode levantar só o polegar, ok?

Nos próximos dias teremos o lançamento japonês de Super Smash Bros Brawl para o Wii, ou “Sumabura”, como os japoneses carinhosamente o chamam. Este jogo é o melhor em se tratando de fan service, um sonho molhado para todos os que curtem crossover entre personagens e ainda por cima resgata com propriedade a boa e velha sessão de porradas em 2D. É um game hardcore? Posso dizer que sim, mas acredito que ele possui o potencial para ser um game harcore popular. Mas vai se encaixar com toda a audiência do Wii? Acho que não muito bem. Tenho um amigo que adora jogar Wii Sports e Wario Ware, e mostrei alguns vídeos do Smash Bros e ele não cutiu muito. Achou legais os personagens e cenários, mas achou demais toda aquela confusão na tela e não entendeu nada. Perguntou “por que o Mario não pula logo na cabeça do Pikachu e mata ele de uma vez”, seus olhos tentando acompanhar a ação na tela. “Como no Mario 1”, ele emendou.
A máquina de hype da mídia está sobrecarregada. A mais respeitada e popular publicação japonesa sobre games, a Famitsu, deu-lhe um placar perfeito (40/40) e encartou na revista um livreto com informações sobre os personagens do game. E afirmou que para ter uma melhor experiência de jogo você precisa usar o Classic Controller ou tirar a poeira do seu velho controle do Gamecube, e, além disso, como seu predecessor, vai tirar tomar um bom tempo da sua vida se você quiser destravar todos os segredos. Talvez Smash Bros Brawl tenha um bom início de vendas, mas será que continuará vendendo bem por semanas a fio, como aconteceu com New Super Mario Bros para Nintendo DS, ou seguirá o mesmo caminho de Super Mario Galaxy ou The Legend of Zelda: Twilight Princess, que não atingiram a meta de vendas esperada?

Se “Sumabura” não vender bem será a prova definitiva que o Wii não é um console amigável para os gamer harcores, e esse resultado poderá influenciar negativamente todas as outras produtoras de games, o que viria a ser terrível. Com menores custos para desenvolvimento dos games, acho que o Wii pode ser também uma boa plataforma para títulos hardcore originais, em contraponto com o caríssimo (e por isso mais arriscado) desenvolvimento de mega projetos para os concorrentes Xbox e PlayStation. Mas se ninguém comprar esses games harcores, de que adianta? O Wii será coberto com o manto de console para jogos casuais, de uma vez por todas, mas felizmente ainda obtendo números de vendas que não tornariam isso uma posição incômoda para a Nintendo. Isto significa também o Wii estará ficará de fora da “guerra dos consoles?”. Não. Ele terá o seu próprio mercado distintamente diferente dos seus concorrentes, os quais deverão lutar entre si para conquistar os hardcore gamers. E embora tanto a Microsoft quanto a Sony estejam tentando trazer alguns jogos casuais para as suas line-ups, torna-se mais evidente também que será muito difícil conseguir roubar espaço da Nintendo. Olhando por esse cenário, podemos dizer que se uma produtora que quer fazer dinheiro com o Wii precisará daqui por diante concentrar seus esforços nos gamers e evitar os gamers hardcores. Além de certificar-se que o título do jogo possa ser facilmente resumido para os japoneses, como “Kinhar” (Kingdom Hearts), “Grantsu” (Gran Turismo) ou “Durakuwe” (Dragon Quest). Mas o poder de modificar esse cenário está em nossas mãos. Basta você dar atenção para aquele seu amigo gamer que adora um jogo casual e influenciá-lo para tentar maiores desafios e torná-lo um harcore, e aí quem sabe, conseguiremos virar esse jogo

 


3 Respostas para “O Japão, o Wii, No More Heroes & Super Smash Bros”


  1. 1 Platy Maio 30, 2008 em 6:20 pm

    “Perguntou “por que o Mario não pula logo na cabeça do Pikachu e mata ele de uma vez”, seus olhos tentando acompanhar a ação na tela. “Como no Mario 1”, ele emendou.”

    http://www.smashbros.com/en_us/howto/technique/technique03.html

    pior q da xD

  2. 2 Julio Junho 13, 2008 em 12:58 pm

    スマブラ!!! yay!!

  3. 3 Julio Junho 13, 2008 em 12:59 pm

    スマブラ!!! yay!!!

    ^o^)b

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